sábado, 8 de junho de 2013

sábado, 25 de maio de 2013

No LeV


Cruzei-me com o Afonso Cruz e fiz-lhe a pergunta que me andava a inquietar.
Ainda esta semana conto vir dizer-vos o que ele me respondeu.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Lydia Davis


Ela acaba de ganhar o The Man Booker International Prize 2013 e os seus contos chegam-me às mãos.
Para começar a ler.
Já.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Afonso Cruz - Jesus Cristo bebia cerveja

 
Este livro foi a maior surpresa do ano até agora. Eu imaginava que fosse bom, mas as minhas vistas curtas nunca me permitiriam entrever que fosse TÃO bom.
Já a imaginação de Afonso Cruz é um completo universo em expansão, não existem limites para aquilo que ele é capaz de criar. Jerusalém no Alentejo? A última ceia com cerveja? O livro que uma personagem está a ler anexado ao próprio livro? Um ensaio sobre a importância das nádegas na formação de um cérebro capaz de pensar? A originalidade desde senhor é assombrosa.
Como vem sendo hábito nesta geração de escritores, voltamos ao ambiente rural, ao provincianismo, à disforia e à injustiça da vida. No meio de tanta tristeza salva-nos o humor negro e a ironia que nos fazem rir com prazer («Pegou numa corda e pendurou-se numa figueira. Foi o mais estranho fruto daquela árvore.»; «(...) e até ela comer a nossa farmácia.»).
O capítulo 37 foi uma das coisas mais bonitas (e mais tristes) que li nos últimos tempos.
Resta-me o pânico de imaginar que posso ter lido o melhor livro dele e o medo de afirmar que, depois disto, a par com Valter Hugo Mãe, Afonso Cruz é o meu jovem escritor português preferido.
 
Trago uma pergunta cá dentro que grita à procura de resposta, resposta essa que só Afonso Cruz me poderia dar. Preciso de saber, afinal, se Rosa leria este livro. E, se sim, o que acharia dele.
 

Citações:
 
«Mesmo os lugares mais rarefeitos, como o espaço sideral e a estupidez humana, são preenchidos por alguma coisa: luz, metais leves, preconceitos, partículas e subpartículas dos átomos, radiações, chavões e telenovelas.»
 
«Nós só temos um cérebro capaz de pensar na lógica de Aristóteles e na teologia de Tomás de Aquino porque temos umas nalgas extrovertidas.(...) Acaba-se com o traseiro e vai-se o pensamento mais piedoso.»
 
«É evidente que ninguém é verdadeiramente Deus se não experimentar passar umas tardes a jogar dominó e lerpa nos jardins e nas praças, enquanto desenvolve a bizarra capacidade de apreciar rosé com gasosa.»
 
«- O amor não se compra.
- Mas paga-se caro.»

terça-feira, 21 de maio de 2013

A(d/n)otado #5

Livros

Quando entro noutras casas e sou apresentado a prateleiras rigorosamente organizadas por ordem alfabética, pergunto-me se estes guardarão rancor pelo caos a que os obrigo.
Em ocasiões que lhes parecem aleatórias, escolho dois ou três e levo-os a dar uma volta ao mundo. Habituados à luz desta casa, acredito que essa montanha-russa lhes arregale os olhos.
Regressam estrangeirados, com a companhia de outros livros, novos, a falarem com sotaque. Se tiverem sorte, trazem as capas mais ou menos dobradas. Só por grande casualidade ocuparão o lugar que tinham antes.
Imagino aquilo que contam aos outros, aos que não saíram daqui. Quase de certeza que o seu relato lhes aumenta a ansiedade. Cada vez que me aproximo, haverá alguns a quererem aventura, a desejarem que o meu braço se estenda na sua direção e, provavelmente, haverá outros agarrados ao que conhecem, com medo de amplitudes térmicas desconhecidas.
Eu olho por eles, eles olham por mim. O tempo continua. Sei que têm memória e, quando não estiver cá, espero que não esqueçam o quanto dependi deles. Pertenço-lhes mais do que eles me pertencem a mim.

José Luís Peixoto, em Jornal de letras, artes e ideias (1 a 14 de maio de 2013)

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A(d/n)otado #4

«A natureza não gosta de espaços vazios e preenche-os como um burocrata preenche requerimentos. Não deixa buracos em lado nenhum. Mesmo os lugares mais rarefeitos, como o espaço sideral e a estupidez humana, são preenchidos por alguma coisa: luz, metais leves, preconceitos, partículas e subpartículas dos átomos, radiações, chavões e telenovelas. A natureza enche chouriços, não há espaço vazio nas suas tripas.»

Afonso Cruz, em Jesus Cristo Bebia Cerveja

terça-feira, 2 de abril de 2013

A(d/n)otado #3

«Porra, meu, dás pena, quer dizer, estás neste mundo só pra o que der e vier, não queres meter o corpo e o coração nele?!»

Ondjaki, em Quantas Madrugadas Tem a Noite

terça-feira, 5 de março de 2013

David Lodge - A Consciência e o Romance


Maravilhoso. Um livro sobre livros e escritores, sobre críticos e leitores. Um autêntico laboratório de autópsias, adornado pelo humor lodgiano (alguém já inventou esta palavra? Não? Posso ficar com os créditos?), onde se desventram romances e ficcionistas.
Uma obra de não ficção de um grande autor que é igualmente um grande académico mas que faz questão de escapar à pretensão e à arrogância de esfregar o seu conhecimento na cara dos outros. Num mundo cheio de sobranceria intelectual não deixa de ser reconfortante a forma modesta como Lodge admite alguns dos seus erros.
A Consciência e o Romance ensina, muito!, explica ao comum leitor vários pormenores da arte de idealizar ficção e da tortuosa tarefa de passá-la para o papel. Escancara a porta dos bastidores e, inevitavelmente, faz com que não consigamos olhar para um romance da mesma forma depois de ler este brilhante conjunto de ensaios. Como se isto não fosse já suficiente, Lodge apresenta-nos de forma ligeira a sua visão de outros autores consagrados como Henry James, Charles Dickens, James Joyce, Virginia Woolf, Kingsley e Martin Amis, Philip Roth, etc. etc.
David Lodge é fascinante (o capítulo final bastaria para prová-lo) e eu recolho-me à minha insignificância abstendo-me de tentar arranjar formas para exprimir o quão incrível é este livro. Recomenda-se a quem se interessa por crítica literária e desaconselha-se, veementemente, a quem quer continuar a ter o prazer de ler um romance através do filtro transparente do inocente leitor.
 
 
Citações:
 
«A simples decisão de continuar a ler um romance ou um poema até ao fim é, em si mesma, uma espécie de acto crítico. Neste sentido lato, a crítica é, como T. S. Eliot afirmou, «tão inevitável como respirar».»

«Em 1996 fui convidado para fazer uma palestra num congresso internacional de especialistas em Kierkegaard realizado em Copenhaga e cujo tema era «Kierkegaard e o Significado de Significar». O que se segue é uma versão reduzida do que eu disse nessa ocasião. Nunca cheguei a descobrir o significado do título do colóquio.»
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